domingo, 20 de dezembro de 2009

Rescaldo do incêndio, isto é, da COP-15...


Palavras do presidente Lula na plenária final da 15a. Conferência da ONU sobre o Clima: “o mundo não chegará a um acordo climático com meias palavras e barganhas, sem um compromisso forte com metas de redução de emissões de CO2 e a garantia do direito das nações mais pobres de se desenvolverem”.

Estados Unidos e China tentaram passar uma rasteira no mundo, mas saíram da COP-15 como vilões. O acordo que propuseram foi rejeitado pela Venezuela, Bolívia, Sudão, Ilhas Tuvalu e outros países.

Shame! Vergonha! É o que repetem ainda hoje os cidadãos do mundo sobre o resultado da COP-15.

Reiterando: Barack Obama deixou uma péssima impressão entre os mais de 35 mil visitantes da Dinamarca. Ele se mostrou refém dos piores interesses corporativistas.

Grande figura na COP-15: o embaixador brasileiro Sérgio Serra. Ele é outro que trabalhou muito, dormiu pouco, alimentou-se mal. Mas foi recompensado pelos aplausos gerais. Frase do embaixador, sobre o legado da conferência do clima das Nações Unidas, na Dinamarca: “o Acordo de Copenhague só conta com a adesão de 26 países, mas o acerto firmado é representativo. O Brasil não sofreu nenhuma cobrança, até porque desde o início o presidente Lula se colocou ao lado dos países em desenvolvimento”.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Acordo ficou para 2010. COP-15 naufraga


Acabou de forma melancólica a reunião de líderes mundiais onde se discutiu, e não se aprovou, um novo tratado para o clima. Tudo ficou para 2010, na Cidade do México. Lula e Obama voltaram para casa. Sarkozi, da França, aliado de Lula, ficou no que restou ds COP-15 para tentar costurar alguma coisa de proveito, com chances mínimas de êxito. Os Estados Unidos se saíram tão mal na COP-15 que é bem provável que recebam o “Prêmio Fóssil do Ano”, galardão à mediocridade.
Sabem qual o significado da sexta-feira, dia 18? Dia mundial da ação pelo clima. Coincidência? Enquanto governantes fracassavam na mesa de negociação, milhões de pessoas em todo o mundo pediram um acordo para substituir o capenga Tratado de Kioto. Em Copenhague, valeu pela alegria e emoção, apesar das ameaças e ranger de dentes da brutal polícia dinamarquesa.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

COP-15, inesquecível como a ECO-92



Já arrumo a mala e me preparo para voltar. Não demora e eu e Maria Alice chegaremos ao Rio, saudosos de todos vocês. Confesso: em minha memória. a COP-15, de Copenhague, será tão inesquecível como a ECO-92 (RIO-92). Aqui, apesar dos pesares, sinto que a Humanidade não aceita retrocessos na defesa da saúde deste nosso planeta Terra tão azul, como o definiu o astronauta Yuri Gagárin.
Na conferência do Rio, que assisti ao lado de minha mãe, a professora Dalva Lazaroni, o conceito do desenvolvimento sustentável e a Agenda 21 se consolidaram. As nações firmaram o compromisso de refletir, global e localmente, sobre a forma que todos, governos, empresas, organizações não-governamentais e setores da sociedade civil devem cooperar no estudo de soluções para os problemas sócio-ambientais.
Apesar dos que defendem o atraso e o status quo ambiental, favorável aos predadores do clima, a roda da História segue o seu rumo: o bem-estar de todos. Disso, tenho certeza. Como afirmou o genial astronomo Nicolau Copérnico, “a sabedoria da natureza é tal que não produz nada de supérfluo ou inútil.”

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Deputados Bernardo Ariston e eu, André Lazaroni, em protesto, deixamos a delegação brasileira na Conferência do Clima


Em um total desrespeito aos países pobres e em desenvolvimento, os ricos insistem que nós continuemos a pagar a conta de uma despesa feita por eles. Não compactuamos com isso.
Indignados, lamentamos o uso do dinheiro público para a realização desta farsa internacional, que pretende ludibriar os desinformados e subestima a capacidade de reagir da população mundial. Os gastos foram tantos, principalmente com delegações imensas, que os valores dariam para acabar com a fome em nações de todos os continentes.
Estranhamos a participação de conceituados empresários e representantes de ONGs que se prestaram ao vergonhoso papel de capachos das nações ricas e poderosas, inclusive oferecendo jantares e festas, com a clara intenção de tumultuar o processo do acordo na Conferência do Clima patrocinada pelas Nações Unidas, na Dinamarca.
Queremos deixar bem claro: somos favoráveis ao entendimento. Torcemos para que, cada um e todos aqui presentes, encontrem o meio termo e que despidos do egoísmo e da ganância, marca registrada dos poderosos, sejam capazes de decidir em favor da Humanidade. Assim sendo, não compactuamos com as desigualdades criadas pelo desentendimento que pode nos conduzir ao fracasso. Perder esta oportunidade pode comprometer o destino desta e das futuras gerações.

Bernardo Ariston – Deputado Federal (PMDB), pelo Estado do Rio de Janeiro

André Lazaroni – Deputado Estadual (PMDB), pelo Estado do Rio de Janeiro

Qual será o futuro do Planeta?


Direto da sala de reuniões, participando da discussão sobre mudanças climáticas, ao lado dos representantes dos países membros da ONU, aonde até agora não se chegou a nenhum acordo, sinto uma vontade imensa de me comunicar com o povo brasileiro para falar dos sentimentos que me envolvem. Indignação e descrença, misturadas à esperança vontade de querer.
Muitos países questionam a quebra do protocolo de Kioto, mas se esquecendo de que Kioto ficou para trás. A hora é de ousar, de arriscar. Como diz Al Gore, “quem não arrisca nada, arrisca tudo”. Há que se sair daqui de Copenhague com um compromisso firmado, que leve em conta a realidade de cada país, talvez até uma moratória de crescimento, mas que retrate o pensamento e as necessidades da Humanidade.
Então, cada vez mais, reforço a ideia de que os povos devem decidir, numa votação mundial, sobre as mudanças radicais nos hábitos de consumo e no do consumismo exagerado.
As mudanças climáticas são inevitáveis. Sem retorno. Mas ninguém quer pagar a conta e começa então o jogo de empurra. Temos que prestar muita atenção nos acontecimento e agir. Nós não podemos pagar a conta sozinhos.
Percebo apreensão nos olhares dos negociadores que estão a minha volta. Decide-se o futuro do Planeta e, nesse momento, são sete brasileiros, divididos em vários grupos de discussão, debatendo o documento base. Acreditam eles, os norte-americanos perderam força, isso é púbico e notório, pois não conseguiram impor sua agenda aos países em desenvolvimento. Quem vai ganhando peso político nesta luta é o Brasil. A parceria com a França tende a crescer e , tudo leva a crer, se tornará nosso principal aliado, bem mais do que os países do BRIC.
Podemos cometer alguns deslizes no meio deste processo todo, mas estamos resitindo.

Aproxima-se a hora H da COP-15


Todos nós que participamos oficialmente da COP-15, aqui em Copenhague, estamos cansados, com certa tensão e vivendo horas de muita expectativa. Quem está lá fora, nas ruas e avenidas, fez e faz a pressão que pode, sofrendo violenta repressão policial. Nas salas e auditórios lotados, discutimos e debatemos muito, enquanto diplomatas, técnicos e cientistas formularam planos e propostas.

Agora todo mundo dá a vez a quem vai decidir o futuro do clima: os chefes de estado e de governo. São os maiorais que vão cantar de galo. A hora H se aproxima. Será na sexta-feira, dia 18. Todo mundo espera a posição dos grandes, especialmente dos Estados Unidos. O que Barack Obama vai propor? Ou não vai propor?

Em conversas com delegados e parlamentares de países dos diversos continentes, senti o temor deles por uma radicalização dos poderosos. Eles não só podem recusar metas de redução de emissões como as apresentadas pelo Brasil, como também abandonar o próprio Tratado de Kioto, que os Estados Unidos de George Bush não assinaram! Tudo é possível. Aqui na COP-15 não vai dar coluna do meio. Ou um tratado seguro e progressista será assinado, ou haverá um terrível retrocesso. Vamos aguardar o passar das horas. E torcer e... rezar!

Há algo de podre no reino mundial!


“Nossa! Como tem polícia na rua! Nunca vimos tantas pessoas armadas assim!”
Isso é o que mais se ouve pelas ruas de Copenhague, dito não só por nós, participantes da COP15, mas pelos nacionais dinamarqueses. De vez em quando somos obrigados a mudar de rua ou a evitar outra. Constantemente desviamos o percurso usual, que nos leva até o Bella Center, por causa das denúncias da existência de bombas no meio do caminho. Aí, é um corre-corre danado, que gera medo, pânico, tumulto...
Neste clima, dividida entre a surpresa e o despreparo, a cidade assiste a chegada dos lideres globais. A surpresa fica por conta da quantidade de gente que chega a Copenhague, que não era esperada. A previsão era de trinta mil pessoas e já passa dos quarenta e cinco mil. Quanto ao despreparo a gente pode senti-lo pela desorganização existente. Ninguém se entende, tanto que
as autoridades locais se acusam, apontam o dedo umas para as outras e se agridem. Muita roupa suja lavada em público e intrigas palacianas gerando conflitos.
A coisa por aqui anda tão feia que a Ministra do Meio Ambiente da Dinamarca se demitiu, ontem, da presidência da COP15, renunciando ao cargo em favor do Primeiro Ministro do pais, que acaba de assumir os trabalhos da Conferência.
Tudo isso me faz lembrar Hamlet quando ele diz: “ Há algo de podre no reino da Dinamarca!” Shakespeare criou o personagem Hamlet baseando-se na história da Dinamarca, o mais antigo reinado do mundo, onde era comum haver traições, intrigas e matanças na disputa pelo trono. O pai da literatura inglesa ouviu falar sobre estas histórias e, inspirado nelas, criou Hamlet, tecendo a famosa trama teatral, onde o personagem mata seu tio e depois a própria mãe.
Agora, parafraseando Shakespeare, com todo respeito, eu digo: “Há algo de podre no reino global. Os personagens da COP15, os poderosos chefões do mundo, patrocinam a extinção dos seres viventes e asfixiam a própria Mãe Terra”.
Daqui a algum tempo, com certeza, nascerá um novo Shakespeare que escreverá sobre essa gente. Até por que o Planeta sobreviverá a eles.

Lula vai dizer o que o Brasil oferece ao mundo


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai dizer ao mundo, hoje, na conferência da ONU sobre o clima, qual é a proposta brasileira para diminuir a emissão de gases de efeito estufa na atmosfera e o desmatamento na Amazônia.O discurso de Lula é aguardado com expectativa por todas as delegações. Ontem, num café da manhã no hotel onde está hospedado, ele discutiu detalhes da proposta brasileira com os ministros Celso Amorim, Carlos Minc e Dilma Rousseff. Às 18h30 de hoje, Lula dará uma entrevista à imprensa, na Sala Elvira Madigan do Bella Center.

O compromisso voluntário do Brasil prevê a diminuição das emissões de gases de efeito estufa entre 36,1% e 39,8% até o ano 2020, com um custo estimado de US$ 166 bilhões nos próximos dez anos. A redução do desmatamento na Amazônia está estimada em 80%, também até 2020 e no valor de US$ 20 bilhões. O Brasil não espera arcar sozinho com esse dinheiro todo. Quer ajuda da comunidade internacional.

Energia humana


Ontem, dia 16/12, depois de assistirmos algumas palestras no Bella Center, fui dar uma volta pela cidade para saber o que está rolando em prol de um mundo melhor.
Resolvi deixar a minha bike de lado e caminhar pelas ruas atapetadas de gelo, pois não sei pedalar na neve. Verdade! Confesso, tive medo de levar um tombo.
Mesmo nevando muito, os ciclistas não param, inclusive, vi uma criança, não tinha mais que 2 anos, fazendo peripécias na sua “magrela” sem rodinhas. A impressão que tenho sobre a Dinamarca, é que, quando nasce um bebê, o berço é uma bicicleta e ela não aprende a andar, mas a pedalar. E mais: se no Brasil o primeiro presente dado as meninas é uma boneca e aos meninos é uma bola ou um carrinho de fricção, na terra de Andersen é uma bike.
Brincadeiras a parte, devo admitir, Copenhague está deslumbrante, tanto que me sinto como se estivesse dentro de um cartão de Natal.
Deparei-me com uma árvore gigante enfeitada com motivos natalinos. Linda! Toda iluminada, lembrava, mantidas as devidas proporções, a árvore da Lagoa Rodrigo de Freitas, na Cidade do Rio de Janeiro.
No entanto, um fato curioso despertou a minha atenção: no entorno daquela bem decorada árvore, eu contei, estacionadas e enfileiradas, formando uma imensa roda, vinte bicicletas. Isso mesmo, uma imensa roda de bicicletas.
Sem conter a minha curiosidade, perguntei ao policial mais próximo do que se tratava. Muito gentil, ele explicou: “as bicicletas estão equipadas com tecnologia moderna para gerar energia limpa, que acende as lâmpadas e ilumina a árvore. Para gerar a energia que abastece as luminárias, as pessoas sentam nas bicicletas e pedalam. Esse um ato propulsor de energia. As bikes são acopladas em um dínamo e, com o pedalar, vai-se gerando energia. Isso não é fantástico? Além da arvore ficar linda, as bikes se tornam uma boa diversão para os que passam por ali.
Para o próximo ano, podemos convencer o Bradesco a fazer o mesmo com a árvore da Lagoa. Vai ser uma obra prima da tecnologia contemporânea: milhares de bicicletas estacionadas no entorno da Lagoa Rodrigo de Freitas, como a abraçá-la, sendo pedalada por milhares de pessoas, gerando energia para acender as 3 milhões de lâmpadas ali instaladas.
E o titulo bem que poderia ser: “BICICLETAS ABRAÇAM A LAGOA A ENERGIA HUMANA.”

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Brasil promove painel na COP-15


Hoje, aqui na COP-15, brasileiros promovem um painel paralelo para discutir a contribuição da moratória da soja na redução do desmatamento no país. O evento é promovido pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e vai mostrar como a parceria entre sociedade civil e governo pode viabilizar a produção sustentável desse grão.
O compromisso firmado pelas empresas de processamento e exportação de soja é não comercializar o produto oriundo de áreas desmatadas na Amazônia e vale até julho de 2010. Vão ser expositores: Carlo Lovatelli, presidente da Abiove e da ABAG – Associação Brasileira de Agribusiness: e Paulo Adario, diretor da Campanha Amazônia do Greenpeace. Se puder, comparecerei.

O mundo vai mudar depois da COP-15


Quero falar um pouco, nesta quarta-feira, aqui de Copenhague, de uma brasileira extremamente competente, admirável e... Prêmio Nobel da Paz: Suzana Kahn, secretária de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente. Para usar uma linguagem do futebol, Suzana dá um show de bola. Ela ganhou o Nobel da Paz, em 2007, integrando a equipe do Painel Intergovernamental sobre Mudanças do Clima (IPCC), das Nações Unidas. Outro agraciado naquele ano foi o ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore. Como se vê, além de craque em meio ambiente Suzana está sempre acompanhada de gente nota 10.

Para Suzana Kahn, a COP-15 é capítulo de um longo processo. Suas expectativas são otimistas, mas realistas. A luta pela defesa do planeta não se encerrará na Dinamarca. A COP-15 é também um ponto de partida. Veja o que ela disse num painel em que participou: “quando os países em vias de desenvolvimento assumem compromissos numéricos com a mudança das suas trajetórias de emissão, demonstram que, de fato, querem crescer em um novo modelo, rumo a uma economia verde. No entanto, para que possamos sair da trajetória business as usual [crescimento tendencial das emissões], e seguir um modelo inovador, criativo, com tecnologias limpas, é preciso investimento.

Segundo Suzana Khan, o investimento não se trata de doação. É cooperação internacional. É respeito ao princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas. Quando as nações ricas ajudam os países em desenvolvimento a mudar seu padrão de crescimento estão ajudando a si mesmas. A atmosfera não tem nacionalidade e o mundo é um só. Eu olho as coisas pela mesma ótica. E, como Suzana Kahn, acho que estamos dando a partida de uma nova caminhada. Mesmo que não saia daqui um novo tratado justo e equilibrado, o mundo vai mudar.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Resenha da COP-15


Um rapazinho boliviano, Darwin Peña, de 17 anos, representa a América do Sul na COP-15. Ele foi convidado para vir à Dinamarca pelo Unicef, Fundo das Nações Unidas para a Infância. Darwin Peña comoveu ministros, diplomatas e jornalistas ao descrever o derretimento da neve dos cumes da Cordilheira dos Andes.

Vamos falar de moda? Vejo indianos sikhs com seus turbantes coloridos. Africanos ocidentais com suas túnicas longas bem coloridas, os bubus, e muçulmanas com hijabs, as mantas que cobrem a cabeça. Meu traje é terno, camisa, camiseta, gravata, casaco grosso de lã e cachecol.

Quem deu um show de competência e habilidade política na COP-15 foi o ex-vice-presidente americano Al Gore. Ele apresentou um relato científico, do Instituto Polar da Noruega, confirmando o rápido degelo do Polo Norte.

Cientistas com opinião comprada pelo capitalismo, e radicais de direita, tentaram negar o valor do filme-documentário de Al Gore, “Uma Verdade Inconveniente”. Se deram mal.

Vai ter papai noel em Copenhague? O holandês Yvo de Bôer, secretário-executivo da Convenção do Clima das Nações Unidas, só quer um presente de Natal: um acordo que supere em muito as metas do Tratado de Kioto e que seja assinado por todos, principalmente os Estados Unidos.
O Senado dos Estados Unidos ainda não aprovou a chamada lei Waxman-Markey, que determinará a meta estadunidense de redução de emissões de CO2. Assim, Barack Obama está legalmente impedido de assinar um acordo em Copenhague. Será que ele vai contrariar o Senado, chutando o pau da barraca?

Voto para mala da COP-15: a polícia da Dinamarca. Ela bate indiscriminadamente em homens e mulheres. Também não respeita idade.

Unidos pela planeta Terra


Neste momento, estamos abrindo a Conferência principal dos países membros da ONU-IPCC. O Ministro da Dinamarca acabou de falar, deu as boas vindas e pediu aos governantes presentes que cheguem a um acordo, pois a população mundial espera por isso.

Ah! Registramos a presença do Príncipe Charles, da Inglaterra, um ambientalista de carteirinha, conhecido dos brasileiros.

Senti falta da Ministra Dilma!!! Será que, depois da quantidade de equívocos cometidos por ela, ontem, aonde a mesma chegou a afirmar que o meio-ambiente é uma barreira para o desenvolvimento sustentável, deu números pouco confiáveis e disse, de forma que pareceu arrogante, que o Brasil tem a melhor proposta, ela resolveu pedir ao Presidente Lula que a retirasse do jogo?

Vamos aguardar.

Aqui em Copenhague temos a impressão, e é um sentimento geral, de que os documentos, que estão sendo formulados, não trarão nada de novo.

Ah, já ia me esquecendo, hoje, quando entrava no Bella Center, local do evento, fui convidado por alguns manifestantes, que estão do lado de fora, a me juntar a eles, dia 16/12, em um protesto contra a inércia dos governantes presentes. Pelo que entendi, amanhã, às 12h, as diferentes tribos de ambientalistas do mundo inteiro, sairão de dentro do Bella Center para encontrar com os manifestantes que estarão nos esperando na rua. Será um encontro histórico, onde o oficial se junta ao clamor popular. Lá na rua, vamos tirar o crachá e tomaremos atitudes de seres humanos inconformados com a irresponsabilidade dos que detêm o poder.

Como representante da população do Estado do Rio de Janeiro, como cidadão consciente de que a hora é essa, estarei aonde devo estar: do lado da humanidade.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Amazônia no olho do furacão


Hoje, o assunto é a Amazônia. Portanto, a América do Sul estará no centro da roda.
E o Brasil, sem dúvida, no olho do furacão, sendo alvo de diferentes interesses. Chegou a hora da verdade, onde tomaremos conhecimento de como o mundo nos vê.
O Brasil não vai abrir mão, aqui na COP-15, das propostas já formuladas pelo presidente Lula. Quem garante isso é o embaixador extraordinário para mudanças climáticas do Itamaraty, o experiente diplomata Sérgio Serra.
Quais as propostas do Brasil, no dizer de Sérgio Serra? Em síntese, são ações que prevêem a diminuição de 36% a 39% das nossas emissões de gases de efeito estufa na atmosfera e a redução em 80% do desmatamento da Amazônia e em 40% o desmatamento do Cerrado, nos próximos onze anos.
Nas últimas décadas, houve aumento de 25 % de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera da Terra. Essa taxa alarmante é provocada pela queima de petróleo e carvão, desmatamento, como ocorre na Amazônia e pelo consumismo desenfreado, principalmente nos países ricos ou em desenvolvimento, como o Brasil.
No fim, vem o pior. O efeito estufa causa um desequilíbrio natural do planeta, fazendo surgir anormalidades como tornados, chuvas torrenciais (é o caso, hoje, do Rio Grande do Sul) e secas intermitentes. O embaixador Sérgio Serra está otimista. Eu também.
André Lazaroni

Sereia com raiva


Olá!
Domingo e, como estava previsto, não há nenhuma atividade no Centro de Convenções Bella Center, aonde ocorre a COP-15. Então, aproveitei para dar um giro pelo centro de Copenhague. Apesar do frio, os dinamarqueses não se intimidam. Uns pedalam em suas bikes, como já disse é impressionante o número delas que trafega pelas ciclovias da cidade, outros andam a pé.
Dessa vez, resolvi caminhar e deixei a minha bike alugada num dos bicicletários, em frente a estação do metro. Logo na descida, encontrei um casal que veio para Copenhague protestar pelo entendimento entre a cúpula mundial aqui reunida. Desfilavam pelas ruas carregando a estátua de uma sereia. Conversamos bastante, falaram da militância deles, tirei uma foto e me fizeram prometer que postaria, aqui no nosso blog, o endereço eletrônico deles: www.angrymermaid.org. Um site interessante, bacana mesmo e que realiza uma votação sobre as empresas-instituições que mais colaboram para o aquecimento global. No referido site, existe um vídeo da “Angry Mermaid” - Sereia com raiva, tradução livre, que posto no meu site. Vale a pena conferir! Depois, me vi numa praça com pessoas, de várias partes do mundo, participando de um evento paralelo à COP-15: uma exposição com o tema “a fome no mundo”, onde, em torno da estatua de uma criança, no chão, podemos ler mensagens, alertas, denúncias distribuídos em diversos cartazes.
Em outro canto da praça, uma exposição mostra os horrores da guerra. Noutro, cabanas de índios americanos, onde eles vivem nesses dias em que o mundo volta seus olhos para a Conferência.
Dentro dessa praça existe também uma espécie de lona cultural. Nela as pessoas apresentam suas experiências, as que estão dando certo na área sustentável. Um homem mostra aos visitantes uma casa sustentável! Ninguém está ali vendendo seus projetos ou produtos, mas dizendo, com criatividade, que é possível se viver em um mundo melhor, onde a vida vale mais.
A cada hora que passo aqui, sem dúvida, descubro um mundo de coisas, inclusive a respeitar mais e mais as diferentes culturas existentes nesse nosso Planeta múltiplo e facetado. E constato, horrorizado, que o futuro da humanidade está nas mãos de poucas pessoas. Mas concluo, com esperanças, que nem tudo está perdido, pois, cada vez mais, pessoas se juntam em prol de um meio-ambiente equilibrado e pensando nas gerações futuras.
Por hoje, fico aqui, aguardando que, amanhã, quando chegam os donos do poder, possamos divulgar as boas novas que queremos e precisamos.
Que Deus ilumine as cabeças dos poucos que decidem por todos.
Abraços verdes e sustentáveis.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Extra Muros


Hoje foi um dia atípico para os dinamarqueses. Milhares de pessoas, pelas ruas de Copenhage, exigiam dos líderes mundiais entendimento, que elaborem e assinem um documento contendo as metas para redução das emissões do gás carbônico lançado na atmosfera.

Tinha gente do mundo inteiro: americanos do norte, peruanos, chilenos, mexicanos, australianos, alemães, franceses, indianos, chineses, brasileiros e eu estava lá fazendo coro com eles. Um momento que jamais esquecerei.

Olhando aquela multidão, toda ela reivindicando a mesma coisa, unida pelo mesmo objetivo, não tive dúvidas: vai ser difícil encarar a população mundial consciente de que a vida no Planeta corre risco de extinção.

O que mais tem me impressionado, nesta viagem, não são as palestras e os encontros que ocorrem dentro da COP-15 oficial, mas sim o que tenho visto “extra muros”. O povo comanda a cena. As manifestações espontâneas são de uma criatividade impressionante, realizadas por pessoas bem informadas, conscientes, conhecedoras da causa ambiental e que demonstram disposição para enfrentar os poderosos egoístas e gananciosos. Ninguém está ali para brincar.

No longo caminho hoje percorrido, encontrei uma tribo de índios norte americanos, em volta de uma imensa fogueira, batendo tambores e rezando em prol do sucesso da COP-15. Não pediam aos deuses nada para si mesmos, mas em favor da Humanidade.

Aproveitei o momento de fé e pedi a Deus por nós.

sábado, 12 de dezembro de 2009


Oi, turma!
Ontem, presenciei a realização de um protesto da galera vegetariana. Os ambientalistas, caracterizados de bichos, pediam pela vida dos animais existentes no Planeta.
Distribuíam um livro chamado " The birds in my life", de capa dura, com aproximadamente 300 páginas, chancelado pela amazon.com, um best seller. A autoria é da Supreme Master Ching Hai, defensora da fauna planetária. O livro vem acompanhado de um guia, que incentiva as pessoas a serem vegetarianas.
Veja o que diz o texto primoroso da obra: “Uma pessoa, sendo vegetariana por um ano, reduz a fome de outras cinco famintas, pois a terra seria usada para produzir comida e não para pastos, salvando a vida de 25 animais, além de reduzir a emissão de 655 bilhões de libras de CO2, que são lançados na atmosfera.”
Consegui um livro e vou levá-lo. Tenho muito que aprender sobre a arte de viver bem e proteger a vida no Planeta. Pretendo aprimorar meus conhecimentos para continuar a ser integrante dessa luta, que é de todos.
Apesar do dia frio, o tempo está esquentando por aqui.
Beijos a todos.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

QUANDO PEDALAR FAZ PARTE DA VIDA

Eu no Dia Mundial Sem Carro - Brasil set/2009

Assim que cheguei ao aeroporto de Copenhage, meu primeiro impulso foi o de alugar um carro. Depois, refletindo melhor, pensei: - “ora, se estou na Cidade das Bicicletas, se eu a uso no Rio no meu dia a dia, se o mundo se reúne aqui para estabelecer metas de redução das emissões de gás carbônico e se o carro é um dos responsáveis pela queima de combustível fóssil lançado na atmosfera, então o carro é absolutamente desnecessário.”
E não deu outra: ainda no aeroporto, ou melhor, na parte externa, avistei uma escada que dava acesso ao metrô e me deparei com um gigantesco bicicletário. Entre emocionado e impressionado, segui rumo ao centro da cidade.
Para onde levo o meu olhar, portas das lojas, bares, edifícios, pontos do metrô, vejo bicicletas de todos os tipos e gostos.
Gente, tem engarrafamentos nas ciclovias! Todo mundo aqui pedala.
Claro que a administração pública dinamarquesa oferece serviços à altura dos usuários, mas me encantei com a postura dos ciclistas: educados para o trânsito, eles usam equipamentos de proteção e sinalizam suas manobras.
Por exemplo, esticam as mãos para a direita, se vão entrar à direita, avisam que vão parar, estacionar...
E o fazem com a maior seriedade.
Aqui a bicicleta é usada como meio de transporte para todos os fins: do trabalho ao lazer. Agora mesmo, chove torrencialmente, a temperatura está abaixo de zero, mas as pessoas, em suas bikes, estão nas ruas. Percebi que os dinamarqueses gostam de chuva e que ela não oferece barreiras para o ir e vir. Entrei no clima dinamarquês e me sinto feliz.
Enfim, concluo que, nós, brasileiros, precisamos entender e assimilar a cultura de duas rodas, usar mais a energia da vida para pedalarmos em direção ao Planeta Verde. Nele a Paz é conquistada com esforços e com a vontade de querer.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Diário de Copenhague


Já caminhei em ruas de Copenhague, debaixo de chuva, onde acabei de chegar, para participar, como observador parlamentar, da 15ª Conferência de Mudanças Climáticas das Nações Unidas, a COP-15.

Copenhague é a cidade ideal para sediar um evento desse tipo, porque sua população tem uma grande preocupação com o meio ambiente. Basta dizer que foi escolhida pela União Ciclística Internacional como a primeira Bike City.

Isso tudo é um exemplo para nós, brasileiros, que ainda utilizamos muito pouco a bicicleta nas grandes cidades. Vou alugar uma bike para conhecer melhor a cidade e depois eu conto mais sobre Copenhague.

Mais notícias da COP-15 no meu site: www.andrelazaroni.com.br

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

O verde é tão grande que não cabe numa só bandeira. PMDB-Verde

Assim como a paz, a fraternidade entre pessoas e nações, o desenvolvimento humano, a solidariedade e o bem-estar social, o verde (ecologia) não cabe numa só bandeira. Ele é de todos os brasileiros, como também é um patrimônio da Humanidade. Por isso, o PMDB agora também é verde. Nasceu forte, e com muita disposição de luta, o PMDB-Verde.

Agora neste grande partido brasileiro – o PMDB de Ulysses Guimarães – tenho o mesmo sonho do início de minha militância política em favor da vida na Terra, com todos os seus seres. O sonho de que um dia nossas escolas ensinarão a nossas crianças noções básicas de direito e cidadania, para que elas aprendam como se defender das ameaças e injustiças de toda sorte. Assim elas crescerão e se tornarão pessoas cientes de tudo aquilo que uma sociedade democrática e socialmente mais justa tem obrigação de lhes proporcionar e garantir.