domingo, 20 de dezembro de 2009

Rescaldo do incêndio, isto é, da COP-15...


Palavras do presidente Lula na plenária final da 15a. Conferência da ONU sobre o Clima: “o mundo não chegará a um acordo climático com meias palavras e barganhas, sem um compromisso forte com metas de redução de emissões de CO2 e a garantia do direito das nações mais pobres de se desenvolverem”.

Estados Unidos e China tentaram passar uma rasteira no mundo, mas saíram da COP-15 como vilões. O acordo que propuseram foi rejeitado pela Venezuela, Bolívia, Sudão, Ilhas Tuvalu e outros países.

Shame! Vergonha! É o que repetem ainda hoje os cidadãos do mundo sobre o resultado da COP-15.

Reiterando: Barack Obama deixou uma péssima impressão entre os mais de 35 mil visitantes da Dinamarca. Ele se mostrou refém dos piores interesses corporativistas.

Grande figura na COP-15: o embaixador brasileiro Sérgio Serra. Ele é outro que trabalhou muito, dormiu pouco, alimentou-se mal. Mas foi recompensado pelos aplausos gerais. Frase do embaixador, sobre o legado da conferência do clima das Nações Unidas, na Dinamarca: “o Acordo de Copenhague só conta com a adesão de 26 países, mas o acerto firmado é representativo. O Brasil não sofreu nenhuma cobrança, até porque desde o início o presidente Lula se colocou ao lado dos países em desenvolvimento”.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Acordo ficou para 2010. COP-15 naufraga


Acabou de forma melancólica a reunião de líderes mundiais onde se discutiu, e não se aprovou, um novo tratado para o clima. Tudo ficou para 2010, na Cidade do México. Lula e Obama voltaram para casa. Sarkozi, da França, aliado de Lula, ficou no que restou ds COP-15 para tentar costurar alguma coisa de proveito, com chances mínimas de êxito. Os Estados Unidos se saíram tão mal na COP-15 que é bem provável que recebam o “Prêmio Fóssil do Ano”, galardão à mediocridade.
Sabem qual o significado da sexta-feira, dia 18? Dia mundial da ação pelo clima. Coincidência? Enquanto governantes fracassavam na mesa de negociação, milhões de pessoas em todo o mundo pediram um acordo para substituir o capenga Tratado de Kioto. Em Copenhague, valeu pela alegria e emoção, apesar das ameaças e ranger de dentes da brutal polícia dinamarquesa.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

COP-15, inesquecível como a ECO-92



Já arrumo a mala e me preparo para voltar. Não demora e eu e Maria Alice chegaremos ao Rio, saudosos de todos vocês. Confesso: em minha memória. a COP-15, de Copenhague, será tão inesquecível como a ECO-92 (RIO-92). Aqui, apesar dos pesares, sinto que a Humanidade não aceita retrocessos na defesa da saúde deste nosso planeta Terra tão azul, como o definiu o astronauta Yuri Gagárin.
Na conferência do Rio, que assisti ao lado de minha mãe, a professora Dalva Lazaroni, o conceito do desenvolvimento sustentável e a Agenda 21 se consolidaram. As nações firmaram o compromisso de refletir, global e localmente, sobre a forma que todos, governos, empresas, organizações não-governamentais e setores da sociedade civil devem cooperar no estudo de soluções para os problemas sócio-ambientais.
Apesar dos que defendem o atraso e o status quo ambiental, favorável aos predadores do clima, a roda da História segue o seu rumo: o bem-estar de todos. Disso, tenho certeza. Como afirmou o genial astronomo Nicolau Copérnico, “a sabedoria da natureza é tal que não produz nada de supérfluo ou inútil.”

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Deputados Bernardo Ariston e eu, André Lazaroni, em protesto, deixamos a delegação brasileira na Conferência do Clima


Em um total desrespeito aos países pobres e em desenvolvimento, os ricos insistem que nós continuemos a pagar a conta de uma despesa feita por eles. Não compactuamos com isso.
Indignados, lamentamos o uso do dinheiro público para a realização desta farsa internacional, que pretende ludibriar os desinformados e subestima a capacidade de reagir da população mundial. Os gastos foram tantos, principalmente com delegações imensas, que os valores dariam para acabar com a fome em nações de todos os continentes.
Estranhamos a participação de conceituados empresários e representantes de ONGs que se prestaram ao vergonhoso papel de capachos das nações ricas e poderosas, inclusive oferecendo jantares e festas, com a clara intenção de tumultuar o processo do acordo na Conferência do Clima patrocinada pelas Nações Unidas, na Dinamarca.
Queremos deixar bem claro: somos favoráveis ao entendimento. Torcemos para que, cada um e todos aqui presentes, encontrem o meio termo e que despidos do egoísmo e da ganância, marca registrada dos poderosos, sejam capazes de decidir em favor da Humanidade. Assim sendo, não compactuamos com as desigualdades criadas pelo desentendimento que pode nos conduzir ao fracasso. Perder esta oportunidade pode comprometer o destino desta e das futuras gerações.

Bernardo Ariston – Deputado Federal (PMDB), pelo Estado do Rio de Janeiro

André Lazaroni – Deputado Estadual (PMDB), pelo Estado do Rio de Janeiro

Qual será o futuro do Planeta?


Direto da sala de reuniões, participando da discussão sobre mudanças climáticas, ao lado dos representantes dos países membros da ONU, aonde até agora não se chegou a nenhum acordo, sinto uma vontade imensa de me comunicar com o povo brasileiro para falar dos sentimentos que me envolvem. Indignação e descrença, misturadas à esperança vontade de querer.
Muitos países questionam a quebra do protocolo de Kioto, mas se esquecendo de que Kioto ficou para trás. A hora é de ousar, de arriscar. Como diz Al Gore, “quem não arrisca nada, arrisca tudo”. Há que se sair daqui de Copenhague com um compromisso firmado, que leve em conta a realidade de cada país, talvez até uma moratória de crescimento, mas que retrate o pensamento e as necessidades da Humanidade.
Então, cada vez mais, reforço a ideia de que os povos devem decidir, numa votação mundial, sobre as mudanças radicais nos hábitos de consumo e no do consumismo exagerado.
As mudanças climáticas são inevitáveis. Sem retorno. Mas ninguém quer pagar a conta e começa então o jogo de empurra. Temos que prestar muita atenção nos acontecimento e agir. Nós não podemos pagar a conta sozinhos.
Percebo apreensão nos olhares dos negociadores que estão a minha volta. Decide-se o futuro do Planeta e, nesse momento, são sete brasileiros, divididos em vários grupos de discussão, debatendo o documento base. Acreditam eles, os norte-americanos perderam força, isso é púbico e notório, pois não conseguiram impor sua agenda aos países em desenvolvimento. Quem vai ganhando peso político nesta luta é o Brasil. A parceria com a França tende a crescer e , tudo leva a crer, se tornará nosso principal aliado, bem mais do que os países do BRIC.
Podemos cometer alguns deslizes no meio deste processo todo, mas estamos resitindo.

Aproxima-se a hora H da COP-15


Todos nós que participamos oficialmente da COP-15, aqui em Copenhague, estamos cansados, com certa tensão e vivendo horas de muita expectativa. Quem está lá fora, nas ruas e avenidas, fez e faz a pressão que pode, sofrendo violenta repressão policial. Nas salas e auditórios lotados, discutimos e debatemos muito, enquanto diplomatas, técnicos e cientistas formularam planos e propostas.

Agora todo mundo dá a vez a quem vai decidir o futuro do clima: os chefes de estado e de governo. São os maiorais que vão cantar de galo. A hora H se aproxima. Será na sexta-feira, dia 18. Todo mundo espera a posição dos grandes, especialmente dos Estados Unidos. O que Barack Obama vai propor? Ou não vai propor?

Em conversas com delegados e parlamentares de países dos diversos continentes, senti o temor deles por uma radicalização dos poderosos. Eles não só podem recusar metas de redução de emissões como as apresentadas pelo Brasil, como também abandonar o próprio Tratado de Kioto, que os Estados Unidos de George Bush não assinaram! Tudo é possível. Aqui na COP-15 não vai dar coluna do meio. Ou um tratado seguro e progressista será assinado, ou haverá um terrível retrocesso. Vamos aguardar o passar das horas. E torcer e... rezar!

Há algo de podre no reino mundial!


“Nossa! Como tem polícia na rua! Nunca vimos tantas pessoas armadas assim!”
Isso é o que mais se ouve pelas ruas de Copenhague, dito não só por nós, participantes da COP15, mas pelos nacionais dinamarqueses. De vez em quando somos obrigados a mudar de rua ou a evitar outra. Constantemente desviamos o percurso usual, que nos leva até o Bella Center, por causa das denúncias da existência de bombas no meio do caminho. Aí, é um corre-corre danado, que gera medo, pânico, tumulto...
Neste clima, dividida entre a surpresa e o despreparo, a cidade assiste a chegada dos lideres globais. A surpresa fica por conta da quantidade de gente que chega a Copenhague, que não era esperada. A previsão era de trinta mil pessoas e já passa dos quarenta e cinco mil. Quanto ao despreparo a gente pode senti-lo pela desorganização existente. Ninguém se entende, tanto que
as autoridades locais se acusam, apontam o dedo umas para as outras e se agridem. Muita roupa suja lavada em público e intrigas palacianas gerando conflitos.
A coisa por aqui anda tão feia que a Ministra do Meio Ambiente da Dinamarca se demitiu, ontem, da presidência da COP15, renunciando ao cargo em favor do Primeiro Ministro do pais, que acaba de assumir os trabalhos da Conferência.
Tudo isso me faz lembrar Hamlet quando ele diz: “ Há algo de podre no reino da Dinamarca!” Shakespeare criou o personagem Hamlet baseando-se na história da Dinamarca, o mais antigo reinado do mundo, onde era comum haver traições, intrigas e matanças na disputa pelo trono. O pai da literatura inglesa ouviu falar sobre estas histórias e, inspirado nelas, criou Hamlet, tecendo a famosa trama teatral, onde o personagem mata seu tio e depois a própria mãe.
Agora, parafraseando Shakespeare, com todo respeito, eu digo: “Há algo de podre no reino global. Os personagens da COP15, os poderosos chefões do mundo, patrocinam a extinção dos seres viventes e asfixiam a própria Mãe Terra”.
Daqui a algum tempo, com certeza, nascerá um novo Shakespeare que escreverá sobre essa gente. Até por que o Planeta sobreviverá a eles.